Na minha última viagem externa, para a Casa de Papagaios (mais conhecida como Ayuruoca), fiquei perdida em muitas viagens internas. O que ficou mais evidente é que preciso ser mais sincera comigo mesma e, conseqüentemente, com os outros, para que a vida comece a fazer mais sentido. Isso significa (também) que chegou o tempo de botar as viagens de dentro para fora.
Andei recuperando umas coisas que estavam sumidas dentro de mim. O violão, os desenhos, os sonhos. Mas o que eu queria mesmo é recuperar a poesia!
Estou procurando as coisas que escrevi muito tempo atrás, com dois objetivos: 1) ver se descubro onde foi parar a inspiração; 2) ver se não perco mais os poemas em CDs e... disquetes! (Pré-história?!)
Não tem mais como postar no falecido blog O Folhetim, que abrigou meus poemas há alguns anos. Então, deixarei minhas viagens poéticas por aqui.
Começarei com uma produção um tanto quanto recente.
Teatro de sombras
2009
Arrevoa a parede
a borboleta negra.
Dinossauro pescoçudo
se arrasta pesadamente,
tromba no bico do pato
que a borboleta virou.
Na boca do jacaré
que abre-fecha-abre-fecha
vem pousar um passarinho,
que já voou...
A cabeleira ruiva
da vela sobre a mesa
empenha-se ardentemente
em combater o apagão.
Seu olhar incandescente
mira no anteparo
as formas irregulares
que ela mesma projetou.
A vela derrama luz
nas mãos da meninada,
e na tela da parede
surgem manchas de nanquim:
dinossauro-pato-pássaro
borboleta-jacaré...
Os meninos brincam de eclipsar a parede.
Meninos sabidos!
Manipulam a luz
pra espantar o medo,
que é feito de sombras.
No Caminho de Volta
Há 7 anos
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