Havia um aquário aqui em casa, bem grande, com muitos peixes. Percebi que eu não os alimentava há umas três semanas. Estavam todos agitados, mexendo-se pelo aquário em movimentos estereotipados.
Peguei o potinho de comida, joguei um tantinho de ração. Os peixes nadaram com força para o local onde o alimento aparecera. Não foi o suficiente para alimentar a cambada de animais famintos. Mais uma porção. Ainda não foi suficiente. Terceira porção... Um monte de peixes nadando para o mesmo lugar ao mesmo tempo, com força, e CRASH, o aquário se quebrou e foi água, peixe, alga e pedrinha pra todo lado.
Corri para pegar uma bacia e tentar salvar os coitadinhos. Tinha peixe espalhado por tudo quanto é lado! Fui jogando na bacia todos os que eu conseguia alcançar, mas havia uma preocupação especial com o peixe branco.
Era um peixe muito importante para mim: raro, caro, com forte valor afetivo. Encontrei-o no meio dos outros, joguei-o na bacia, mas ele pulou para fora. Tentei de novo, mas o bichinho era arisco. Saiu pulando escadaria abaixo, para o quintal da casa do meu pai. Eu correndo atrás, desesperada, porque o peixe podia morrer.
- Volta pra bacia, volta!
- Não volto!
- Você pode morrer!
- Não vou voltar!
- Isso é suicídio!
- ...
O peixe virou um homem de uns 60 anos, cabelos brancos, pele enrugada. Deitou-se na rede, confortavelmente. Continuava a ser meu peixe branco!
- Volta, peixe, você vai morrer!
- ...
- Você está se matando, peixe!
- ...
Despertador.
Qual é a parte de mim que é velha, rara, tem ato valor financeiro e afetivo e está querendo se matar?! E por que está querendo se matar?!
Meu inconsciente anda misterioso demais.
No Caminho de Volta
Há 7 anos
2 comentários:
Nossa! Que viagem!!! Bem que minha irmã me falou que esse blog é muito legal! Kkkkk.
Que viagem!!! Bem que minha irmã falou que esse blog era legal, kkk.
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