terça-feira, 17 de julho de 2012

De Rio Branco a Puerto Maldonado

Saímos por volta de 5:30 da manhã do dia 09/07 de Rio Branco, de carro. Meu primo se dispôs a nos levar até a fronteira do Acre com o Peru. E assim, saímos de Rio Branco para Assis Brasil, passando por Brasileia, conforme mapa abaixo.

Mapa do Acre


A estrada é a mesma que eu já havia conhecido quando fomos a Cobija, em 2010 (cidade boliviana que faz fronteira com Brasileia). Apesar de cortar a Amazônia, hoje só se veem pastos e agricultura nas margens. Vimos o sol nascer na estrada, o que sempre é uma bela imagem.

Nascer do sol no Acre


Quando chegamos a Brasileia, demos uma passadinha rápida por Cobija (Bolívia) para comprar de alguns acessórios finais que precisaríamos na viagem (darei explicações mais detalhadas em algum post futuro), além de algumas latinhas de cerveja Paceña (nunca encontrei essa cerveja no Brasil).

Depois seguimos para Assis Brasil, que fica perto da tríplice fronteira (Brasil, Peru e Bolívia). Basta passar por uma ponte para chegar ao lado peruano, que se chama Iñapari (pronuncia-se "inhapári"). Passamos pela migração e nos despedimos do meu primo. A partir daí, seguimos de táxi (30 soles por pessoa) até Puerto Maldonado. Foram mais umas 3h de viagem, num percurso de cerca de 250 a 300 Km.

No caminho, vimos uma paisagem parecida com a estrada que seguíamos pelo Brasil. A Amazônia desmatada dava lugar a pastos e campos de agricultura. Mas há algumas diferenças. A principal é que no lado peruano da fronteira, há várias vilas pequenas pelo caminho. Meu irmão (estudante de geografia) foi anotando os nomes no diário de campo e, sem exagero, posso dizer que passamos por uma vila a cada cada 5 minutos de viagem. As casinhas dessas vilas são muito simples, a maioria de madeira ou barro (acho que é o que chamam, no Brasil, de "taipa de pilão").

Uma típica casinha de vilas na estrada que liga Iñapari a Puerto Maldonado


O taxista não ganhou apenas os nossos 120 soles. No caminho, ia pegando pessoas aleatórias, que viajavam no portamalas, ao lado das nossas mochilas, que foram amontoadas num canto. Essas pessoas pareciam ser habitantes das vilas. Faziam sinal para o táxi, que parava para apanhá-los, e desciam em alguma outra vila, quilômetros adiante. Não pareciam estranhar pagar para viajar no portamalas. No total, cinco passageiros viajaram conosco, sendo dois rapazes, um senhor de mais idade (muito simpático) e uma moça com uma criança pequena.

Na estrada, a polícia rodoviária parou o táxi. Minha mãe já imaginou que iriam implicar com o jovem no portamalas, mas não era esse o problema, já que no Peru, que eu saiba, não existem leis de trânsito impedindo transportar pessoas dessa maneira. No fim, só quiseram ver nossos documentos e deram uma olhada rápida em nossas bagagens, apalparam, mas não pediram para abrir mochilas.

Chegando em Puerto Maldonado, o taxista já nos deixou numa agência de ônibus de viagem. Eles cobraram 50 soles por pessoa para a viagem de cerca de 500 Km e onze horas até Cusco, em ônibus leito. Guardaram nossas malas na agência enquanto fomos comer em um restaurante logo ao lado, que cobrou 5 soles por refeição (incluindo uma sopa de entrada e mais um prato principal muito bem servido). Tomamos Inca Cola, uma bebida amarelo-xixi, bem doce. Também foi um jovem de 16 anos, que trabalhava na agência de viagem, que nos ajudou a ir de mototáxi até um local para fazer o câmbio de reais para soles.

Mototáxi, no Peru, é bastante diferente de qualquer coisa que tenhamos no Brasil, como vocês podem ver pela foto. É bastante barato, mas cobram por pessoa. Minha mãe parecia uma criança feliz na sua primeira viagem de mototáxi, quando fomos trocar dinheiro.

Mototáxi, em sua versão peruana, e minha mãe feliz e contente!


Enfim, cerca de 5h da tarde, pegamos o "bus cama" (ônibus leito) até Cusco. E continuarei o relato no próximo post.

16 comentários:

Carol - Be Dorothy - disse...

Gabi! Em que lugar vcs pegaram o taxi para Puerto Maldonado?? Alguma referencia? Obrigada desde já :)

Gabi disse...

Carol, pegamos o táxi para Puerto Maldonado em Iñapari, a tríplice fronteira (Brasil/Peru/Bolívia). Eles ficam parados por lá, esperando alguém chegar... Abraços e boa viagem!

Anônimo disse...

Oi Gabi, estou me programando para ir lá este ano. Queria saber se você precisou tirar passaporte ou foi emitida uma declaração da polícia federal? Não implicaram com vocês na estrada, por vocês serem estrangeiros.. tipo não quiseram cobrar propina e tals. Li em alguns sites que era recomendável tirar passaporte. Você teve algum problema em relação a isso?? Desde já agradeço. Danielle.

Gabi disse...

Danielle, nós tínhamos passaporte. Dá para viajar somente com RG (desde que tenha data de expedição inferior a 5 anos), mas dizem que com passaporte é mais fácil, mesmo. Evita que sejam criados problemas que não existem rs... Não tivemos problemas em nenhum ponto da estrada, somente nos revistaram uma vez na estrada de Iñapari para Puerto Maldonado e uma vez na saída do Peru para o Acre, mas isso é rotina. Abraços e boa viagem!

pmtxei disse...

Gabi, qual o tempo de viagem de Rio Branco para Iñapari? A tríplice fronteira é logo atravessando a ponte Assis Brasil-Iñapari?
Grato pelo retorno.

Gabi disse...

pmxtei, se você for de Rio Branco para Iñapari de ônibus, irá levar umas 6h. Existem ônibus que vão direto, mas em poucos horários. Melhor pesquisar os horários disponíveis. De carro, fomos em cerca de 3h.
E sim, passando a fronteira de Assis Brasil, você já estará em Iñapari.
Abraços e boa viagem!

pmtxei disse...

Linda e Prestativa Gabi!
Muito obrigado por sua resposta, que dirimiu minhas dúvidas.
Bjs and abs.
Pedro

Anônimo disse...

Oi Gabi!
Obrigada pelas informações. Abs. Danielle.

Green Crock disse...

Ola Gabi,

como sao as estradas de Rio Branco a inhapari ?
Vcs na viagem de Rio Branco a inhanpari foram parados pela a policia rodoviaria ?

Gabi disse...

A estrada de Rio Branco a Iñapari estava bastante ruim, muitos buracos. Vários carros eram obrigados a trafegar na contramão, e faziam isso em alta velocidade.
A partir do momento em que entramos no Peru, a estrada ficou bem melhor.
Se bem me lembro, fomos parados pela Polícia Rodoviária uma ou duas vezes. E em Iñapari, é preciso parar na aduana e preencher um documento antes de sair do país.
Abraços!

sih disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Gabi disse...

Sih, não sei te dizer. Melhor pesquisar. O que sei é que, geralmente, para sair do país com menores desacompanhados dos pais é preciso ter autorização do pai e da mãe registradas em cartório, ou no juizado, sei lá...

Diarios de mobilete disse...

Muito legal suas descrições Gabi.

Como estava o estado da estrada entre Rio Branco e Puerto Maldonado ? E depois entre PM e Cusco ?

Estou pensando em fazer esse trecho de carro próprio.

Obrigado

Anônimo disse...

Oi gabi! muito bom seu relato!!
dia 01 de jan estarei em Puerto Maldonado e preciso chegar em Rio Branco, onde vou vir embora para o Paraná de avião.
qual seria a melhor forma de fazer o trajeto?
estou pensando em pegar um taxi de Puerto Maldonado até Inapari e de lá um para Rio Branco.
voce sabe se tem van a toda hora ou é mais dificil? obrigada!

Camila disse...

Oi Gabi , conheço o Peru já. Mas , fui de avião até lima e de lima fui para cuzco de ônibus.Estou morando em rio branco e gostaria de fazer essa viagem de carro. Só tenho uma dúvida tem como ir no carro 1.6 sem tração? "carro normal" . Agardecida

billy fequis disse...

Bacana seu blog Gabi, sou daqui do Acre e estou indo a primeira vez a cusco, por incrível que pareça rs... p ir ate Assis brasil tem um taxista chamado eli, R$50 por pessoa, de Assis a inapari 30 soles por pessoa, dessa vez estou indo de ônibus rio branco até cusco direto, R$150 reais por pessoa.

Grato, qualquer coisa me skype é billy.fequis Abraços