domingo, 21 de novembro de 2010

Cobija

O Acre faz fronteira com Bolívia e Peru e, por isso, viagens a esses destinos são bem comuns entre acreanos. Há muitos moradores do Acre que nunca foram para outro estado do Brasil, mas já estiveram na Bolívia várias vezes. Para passear? Não, normalmente é para fazer compras, aproveitando que o peso boliviano é desvalorizado em relação ao real.

Estando em Rio Branco, resolvi dar uma de acreana e ir para Cobija, não tanto pelas compras, mas para curar o trauma de Bolívia. Desde que saí de San Matias, eu não dormia direito, porque sonhava que estava na Bolívia, que havia manifestações, "bloqueos", "paros" e eu não conseguia passar, que as pessoas me tratavam mal, tentavam me passar a perna, enfim... aquele sentimento terrível das 24h em San Matias continuou intensamente presente nos meus sonhos.


Ponte Brasil-Bolívia


O bom é que a tia, o primo e até o amigo do primo toparam rapidinho ir para lá. Saímos de Rio Branco de carro, seguindo por uma estrada que, na maior parte do percurso, passa pela zona rural do estado, com suas gigantescas fazendas, que roubaram espaço da floresta amazônica para a plantação de cana e a criação de gado. Diferentemente das estradas do sudeste, com as quais estou acostumada, as estradas do Acre quase não têm curvas (chega a ser entediante). E também não têm serras e morros na beirada da estrada: é tudo planície, proporcionando um horizonte bem distante de se olhar.

A fronteira do Acre com a Bolívia é marcada por uma ponte, estaiada como parecem ser todas as que têm sido construídas na região ultimamente. E após atravessá-la, é interessante notar como a paisagem é quase a mesma.

Fronteira


Cobija tem cara de Brasil. O celular brasileiro pega muito bem, as pessoas falam pelo menos um pouco de português (e se não falam, pelo menos entendem), os preços são marcados em reais e há um clima amistoso. Tantas lojas de bugiganga que eu me sentia quase na 25 de março, em São Paulo.

Passei uma manhã gostosa: de carro e bem acompanhada, foi fácil... A melhor descrição dessa situação foi a que ouvi da prima, referindo-se à diferença entre Cobija e San Matias: "A Bolívia daqui é calminha, não é como a Bolívia de lá". Cobija tem cara de cidade, San Matias tem cara de faroeste. Nem parece que ambas estão na fronteira do mesmo país.

Fomos andando pelas lojas, tirando fotos, tomando cervejas diferentes das nossas (como Paceña e a mexicana Tecate), vendo collas venderem empanadas e sucos em carrinhos pelas ruas.

As bugigangas ficaram no Acre, aos cuidados da Tia Dé, que trará para São Paulo na semana que vem. E segui com a mochila mais leve, carregando um trauma a menos. Ufa! Depois disso deu para sonhar melhor.

6 comentários:

Fernanda disse...

E põe tralha nisso!!!
Só uma das malas, q foi pesadahj pela manhã, deu um total de 10kg!!!
E ainda faltam as bebidas.
Gabi saiu do Acre muambeira. Kkkkkkk

Gabi disse...

Kkkkkkkkkkkk se der excesso de bagagem avisa que a gente paga aqui. Pior que a maior parte das coisas foram as encomendas da minha mãe rsrsrsrs...
To esperando vocês, hein? Acho que sábado a gente se vê.
Beijo!

Alexandre Curcino disse...

Triste saber que a fronteira agrícola chegou na Amazônia com tanta intensidade... Acho que os números do governo, dizendo que o desmatamento na Amazônia diminui nos últimos anos, estão errados!

Gabi disse...

No Acre eu também acho que o desmatamento cresceu nos últimos anos, Alexandre... E não duvido que os números do governo estejam errados, ou até manipulados...
Abraços!

marcelo.... disse...

Oi. Gostaria de saber mais sobre essa viagem sua. Tenho uma avó que por acidente nasceu em Cobija e saiu de lá apenas com 9 anos. Agora, com mais idade, quer voltar lá e tenho pensado em fazer essa vontade dela.

Você foi de carro mesmo? O trajeto é fácil? Por acaso lembra quantas horas o percurso tomou?

Gabi disse...

Marcelo, desculpe pela demora em responder. É super simples ir a Cobija via Rio Branco. De carro, são cerca de 2h de viagem e a estrada é tranquila: asfaltada, plana, passando pelo meio das fazendas (que, infelizmente, tomaram o lugar das nossas matas...).
Também é possível ir de ônibus, mas eu não sei informar o tempo de percurso, nem os horários.
Tomara que sua avó goste do passeio, hehehe...